Descrição Processo para aditivação de vinho
É sabido, desde há muito tempo, que o vinho, de uma maneira geral, e o tinto em particular, é benéfico para a saúde, se tomado com moderação. Estudos efectuados nos últimos anos referem que essas caracteristicas são devidas a vários componentes, possuindo alguns efeito a nível cardiovascular, e outros caracteristicas anticancerigenas, etc. Antioxidantes como a quercetina, o resveratrol e a catequina inibem o desenvolvimento de certos cancros. Existe uma extensa bibliografia a este respeito de que uma boa síntese se encontra em Annals of the New York Academy of Sciences, vol. 957, 2002, Alcohol and Wine in Health and Disease, Editors Dipak, K. Das & Fulvio Ursini.
É conhecido o envelhecimento do vinho em carvalho (em barril ou com aparas), conferindo certas caracteristicas organolépticas ao vinho e é também por vezes mencionada a interacção do vinho com a cortiça mas sem suporte cientifico até ao momento.
Relativamente à aditivação dos vinhos, uma pesquisa de patentes permitiu verificar a existência da patente RU 2155216 que refere uma bebida alcoólica enriquecida em compostos com propriedades antioxidantes mas não pelo processo proposto pelo presente invento e a patente WO 9963048 que descreve um processo de fabrico de bebidas enriquecidas em antioxidantes por maceração com material vegetal rico em taninos.
Antecedentes da Invenção
Estudos feitos por vários investigadores demonstraram que alguns componentes da cortiça com interesse para a evolução do vinho, podem migrar para este, quando em contacto com o mesmo, nomeadamente compostos orgânicos voláteis responsáveis por certos odores e sabores. Dentro destes compostos com interesse estão, por exemplo, a vanilina e os elagitaninos, que ao se complexarem com as antocianinas influenciam a adstringência e outras caracteristicas do vinho. A nível dos polifenóis que podem passar da cortiça para o vinho pode-se dar como referência o artigo de Varea
S. et al. , Polyphenols susceptibles to miçpeate from aork stoppers to wine, Eur. Food Res. Technol., 213: 56-61, 2001.
Num outro estudo verificou-se que quando o vinho contactava a madeira de carvalho (no envelhecimento em cascos de carvalho) os elagitaninos existentes na madeira, nomeadamente um, designado por vescalagina, reagiam com as catequinas existentes no vinho, produzindo acutissimina-A, um agente antitumoral extremamente potente (ver Quideau, S.
et al. , DNA tqpoisomerase inhibitor acutissimin-Ά and other Flavano-ellagitannins in red trine, Angew. Chem. Int. Ed. , 42: 6012-6014, 2003).
Os presentes inventores conseguiram demonstrar, surpreendentemente, que o mesmo se passava por contacto do vinho com a cortiça. Embora a cortiça também possua vescalagina na sua composição, tal como demonstrado por Varea (2001) referenciado atrás, tal não era possível inferir, dado que existem diferenças assinaláveis entre a composição da cortiça e da madeira, pelo que poderiam haver proporções inadequadas entre constituintes, interferências com outros constituintes, reacções paralelas, etc. que poderiam prejudicar a formação de acutissimina-A.
Neste invento utiliza-se cortiça proveniente de uma espécie a cortiça amadia, Assim, cons ti tuição da madeira. récents dans Ann. Fac.
muito particular de árvore, o sobreiro (Quercus suber L.) que sofre extraeções sucessivas com o fim da sua casca conduzir a um material, totalmente diferentes das madeiras. material especifico, cuja química é muito diferente Guillemonat, A., Progrés constitntion chimique du liège, 30: 43-54, 1960 e Pereira, H., variability of cork from Quercus Technol., 22(3):211-218, 1988, composição química da cortiça é, fim da com propriedades a cortiça é um morfológica e Segundo, p. e.
'étude de la Sc. Marseille, Cbemical cooposition and snber L., Wood Sei. pode-se considerar que a tipicamente, a seguinte:
46% de suberina (principal constituinte)
25% de lenhina
12% de celulose e outros polissacáridos
6% de taninos
6% de ceróides
5% de cinzas e outros compostos
A titulo de comparação, a composição química típica de uma madeira, p.e. Fengel D.,Wegener D., Wood: chemistry, ultrastructure, reactions, Walter de Gruyter, Berlin, 1989, é:
60% de celulose (componente principal)
25% de lenhina
15% de outros compostos
Esta diferença de composição torna a cortiça um tecido especifico e fundamentalmente diferente da madeira.
Os conteúdos de cada uma das referências aqui citadas, são aqui incorporadas na sua globalidade.
Descrição das Figuras
Figura 1 - Espectro de massa caracteristico da acutissimina-Ά (amostra de contacto de vinho tinto com granulado de cortiça — 30 min de contacto).
Figura 2 - Cromatograma parcial de uma amostra tal e qual de vinho tinto que esteve em contacto com granulado de cortiça durante 30 min.
Figura 3 - Cromatograma parcial de uma amostra tal e qual de vinho tinto que esteve em contacto com granulado de cortiça durante 150 min.
Figura 4 - Cromatograma parcial de uma amostra tal e qual de vinho tinto que esteve em contacto com granulado de cortiça durante 6 dias.
Descrição pormenorizada da invenção
O presente invento refere-se a um processo para a formação de compostos benéficos para a saúde no vinho por contacto deste com produtos naturais contendo vescalagina. De um modo preferencial o produto natural contendo vescalagina é a cortiça do Quercus suber L. Mais especificamente, o presente invento refere-se ao contacto do vinho com a cortiça, em condições tais que a vescalagina da cortiça reaja com as catequinas no vinho de modo a formar neste acutissimina-A. As condições reaccionais (temperatura, tempo de contacto, granulometria da cortiça, proporção da cortiça em relação ao vinho, etc.) podem variar, mas são, preferencialmente, a temperatura ambiente, um período de contacto igual ou superior a 30 minutos e uma granulometria de 1-5 mm. A proporção peso/volume (p/v) ou volume/volume (v/v) cortiça/vinho pode variar mas é preferencialmente de 1/100 (g/ml) a 3/100 ou 20/100 a 40/100 (ml/ml) , respectivamente.
O processo de aditivação do vinho envolve o contacto da cortiça, usualmente em partículas finamente divididas ou sob a forma de aparas, quer directamente adicionadas ao vinho e posteriormente separadas por filtração, antes ou durante o engarrafamento, quer ainda antes do consumo, através de sistemas de retenção que contenham a cortiça e possam facilmente ser colocados e removidos dos recipientes contendo vinho. De um modo preferido, esses sistemas são cartuchos, cápsulas porosas, pequenas armações metálicas furadas ou em rede e outros do género. Também, de um modo preferido, as partículas de cortiça integrantes destes sistemas deverão ser esterilizadas, previamente ou posteriormente ao seu encerramento nos sistemas, p.e. com irradiação por raios gama ou por feixe de electrões, ou mesmo com o objectivo de evitar gostos e aromas a mofo no vinho, segundo o método descrito no pedido de patente portuguesa PT 103006 dos mesmos inventores.
Verificou-se também que ao contactar a cortiça, o vinho adquire alguns dos seus compostos extractáveis e voláteis que alteram o vinho, conferindo-lhe uma ligeira alteração de cor, nomeadamente nos brancos e um paladar que na gíria se designa por mais redondo, menos ácido e com madeira, atributos considerados como positivos pela maioria dos consumidores.
Este processo tem a vantagem de ser muito simples, barato e permitir a formação de compostos benéficos no vinho com tempos de contacto muito curtos, podendo ser utilizado como complemento da vinificação ou pelo próprio consumidor.
O processo irá ser agora melhor entendido através dos exemplos que se seguem que são dados a titulo meramente ilustrativo e não limitativo.
EXEMPLO 1
a. Amostras utilizadas
- Vinho Tinto; Ano 2003; Castas - Touriga Franca e Touriga Nacional; Marca - Quinta do Cardo; Produtor - Companhia das Quintas (não teve qualquer estágio em madeira nomeadamente madeira de carvalho).
Rolhas de Cortiça fornecidas pela empresa Juvenal Ferreira da Silva S.A., calibre 44x24 mm, de 3a qualidade, com lavação Suncl e sem qualquer tratamento superficial.
- Padrão de Acutissimina cedido por Quideau (Quideau, S., Jourdes, M. , Lefeuvre, D., Montaudon, D., Saucier, C. , Glories, Y., Pardon, P. e Pourquier, P., 2005, The Chemistry of Wine Polyphenolic C-Glycosidic Ellagitannins Targeting Human Topoisomerase II, Chem. Eur. J., 11, 65036513) .
b. Condições de extracção/reacção
Os ensaios foram realizados em erlenmeyers de 250 ml com 100 ml de vinho em contacto com um volume de material (granulado de cortiça) de cerca de 30 ml que corresponde a
2,5 g de cortiça. A cortiça foi previamente triturada num moinho Restch até uma dimensão igual ou inferior a 1,5 mm. Os balões em que o vinho e a fonte de vescalagina contactaram estiveram sob agitação horizontal durante os períodos do ensaio a uma temperatura ambiente de cerca de 21°C. Todos os ensaios foram realizados em duplicado.
c. Condições analíticas
A pesquisa de acutissimina-A em amostras de vinho tinto, em contacto com cortiça foi realizada por ESI (electrospray ionization) — ITD (ion trap Detector) - MS /MS (LC-MS) .
O método esqperimental utilizado foi o descrito na literatura com ligeiras modificações (Quideau, S., Jourdes, M., Lefeuvre, D., Montaudon, D., Saucier, C., Glories, Y., Pardon, P. e Pourquier, P. , 2005, The Chemistry of Wine Polyphenolic C-Glycosidic Ellagitannins Targeting Human Topoisomerase II, Chem. Eur. J. , 11, 6503-6513), uma vez que o referido método destina-se a separar/ídentificar polifenóis e o interesse do presente trabalho está focalizado apenas na pesquisa da acutissimina-A.
Foi usado um cromatógrafo de fase líquida de alta resolução hifenado com um espectómetro de massa com as seguintes especificações: cromatógrafo de fase líquida de Alta
Resolução da marca Waters (modelo Alliance 2695), equipado com bomba de gradiente quaternário, injector automático, forno de colunas, detector de fotodíodos (modelo 996), hifenado com um Espectómetro de Massa da marca Bruker (modelo Esquire 3000) com Ionização por Electropulverização (fonte ESI) e analisador de Armadilha de Iões (ITD) e sistemas de aquisição e tratamento de dados Esquire e HyStar.
As especificações da cromatografia em fase líquida foram as seguintes:
• Coluna: Coluna Hypersil ODS, 250-4 mm, 5 pm de tamanho de partícula, Hypersil, Thermo • Fase móvel: Gradiente 3, em que:
A= H20 com 0,065 % de TFA (v/v)
B= MeOH com 0,065 % de TFA (v/v)
Tabela 1
|
Tempo (min) |
Fluxo (mL/min) |
%A |
%B |
| |
1,0 |
100 |
0 |
|
10 |
1,0 |
80 |
20 |
|
30 |
1,0 |
60 |
40 |
|
31 |
1,0 |
100 |
0 |
|
36 |
1,0 |
100 |
0 |
• Detecção: UV a 240 nm • Vol. Injecção: 10 elOO pL • Fluxo de Fase móvel: 1,0 mL • Tr Acutissimina a· ® 11,8 min.
As especificações da espectrometria de massa foram as seguintes:
• Condições da fonte de ESI:
♦♦♦ Pressão do gás de nebulização (N2) : 50 psi ❖ Fluxo do gás de secagem (N2) : 10 L/min ❖ Temperatura do gás de secagem: 365° C • Parâmetros de aquisição:
❖ Modo de ionização: iões negativos ❖ Condições da armadilha de iões:
• gama de varrimento de massas: 850 - 1250 m/z • tempo de acumulação: 100 ms • n° máximo de iões acumulados: 100000 ❖ Voltagem aplicada ao cone (Skim 1): -57,2 V ♦t» Voltagem aplicada ao capilar: +4000 V • Parâmetros de optimização:
❖ Massa alvo: 1205 m/z *t* Estabilidade do composto: 70 % *t* Nivel de armadilhamento de iões : 100%
Parâmetros de fragmentação: ❖
Sequência de fragmentação MS2 estudada: 1205 915
Largura do isolamento do ião Amplitude
V de fragmentação do precursor: 1 m/z ião precursor:
A primeira massa consistiu acutissimina-A no confirmado o espectro obtido por injecção via HPLC. A análise por LC-ESI-MS do padrão revelou que este se encontra bastante impuro, verificando-se mesmo a co-eluição a um estudo de m/z=1205, por injecção filho com m/z=915. O apresenta 2 sinais (Figura 1) , com a m/z 1205 (Sinal etapa identificação por introdução directa espectrometria do padrão de de tendo-se da do ião com obtido o ião acutissimina-A (os mais intensos) em modo negativo com outros compostos. Procedeu-se ainda fragmentação MS-MS directa, espectro caracteris ticos ionização por EST, em modo negativo, base), correspondente ao ião molecular (M-H), e a m/z 915. Para confirmar se aquele composto com sinal a m/z 1205 poderia ser atribuído à presença de acutissimina-A, procedeu-se a uma fragmentação MS-MS daquele sinal, utilizando-se uma amplitude de fragmentação de 1,00 V. Este ensaio revelou-se conclusivo da presença do composto pretendido, uma vez que se obteve o ião filho de m/z=915, tal como no padrão. Submeteu-se a amostra de vinho tinto ctiça (ensaio em branco) ao a ausência do composto de A fase seguinte foi a de contida em 50 mL de vinho que não teve mesmo método interesse, a concentrar a tinto, em SPE com cortiça assim preparadas, evidenciaram a presença de acutissimina-A.
EXEMPLO 2
Neste segundo exemplo foram efectuados os ensaios respeitantes aos tempos de contacto de 30 min, 2h 30 min. e 6 dias de contacto do vinho tinto descrito no Exemplo 1 com granulado de cortiça. As análises foram efectuadas segundo as técnicas descritas no Exemplo 1.
Os resultados obtidos para estes ensaios encontram-se na tabela seguinte (Tabela 2):
Tabela 2
|
Referência das Amostras |
Tempo de Contact ° |
Área absoluta |
Área relativa (%) |
|
Sinal Referência tr (1) = 9 min. |
Acutissimi na A tr (2) = 12 min. |
[Área (2)/Área (1)1*100 |
|
O •h
£ |
concentrado |
30 min |
94,59 |
5,42 |
5,73 |
|
tal e qual |
30 min |
89,94 |
10,06 |
11,19 |
|
concentrado |
150 min |
94,14 |
5,87 |
6,24 |
|
tal e qual |
150 min |
88,23 |
11,77 |
13,34 |
|
u |
concentrado |
6 dias |
91,47 |
8,53 |
9,33 |
|
tal e qual |
6dias |
90,95 |
9,06 |
9,96 |
| |
amostra vinho sem
contacto1 |
- |
- |
1 Branco do procedimento;
Como podemos verificar através da análise da Tabela 2 a acutissimina-A é detectada em todas as amostras onde se fez o contacto do vinho tinto com a cortiça. No ensaio em branco não foi detectada a acutissimina-A como aliás era de esperado.
As Figuras 2, 3 e 4 apresentam os espectros obtidos a partir da injecção no cromatógrafo de fase liquida das amostras tal e qual de contacto do vinho tinto com granulado de cortiça, 30 min, 150 min e 6 dias respectivamente. Nos três casos podemos verificar a existência do sinal correspondente à acutissimina-A assinalado com o número 2.
EXEMPLO 3
Foram efectuados ensaios em que foi usada a técnica do exemplo 1 com a excepção de o contacto vinho/cortiça ser feito com a cortiça dentro de cartuchos algodão com as dimensões 100 x 50 mm. Os realizados utilizando vinho branco com em tecido de ensaios foram as seguintes caracteristicas:
- Ano 2004; Casta - Arinto; Marca - Prova Régia; Produtor Companhia das Quintas (não teve qualquer estágio em madeira nomeadamente madeira de carvalho).
O vinho tinto utilizado foi igual ao do exemplo 1. Os ensaios foram realizados para pequenos tempos de contacto (cortiça/vinho) - 30 e 150 min.
Os resultados obtidos estão sintetizados na Tabela 3. A detecção de acutissimina-A foi realizada através da presença do sinal m/z a 915 através de EIC. Foi igualmente medida a intensidade do sinal.
Tabela 3
|
AMOSTRAS |
Sinal m/z=915 no EIC |
Intensidade do Sinal m/z=915 |
Tr (sinal de m/z=915) |
Média das Intensidades |
|
Tinto 30 min Ia injecção |
Não |
7 |
11.7 |
7 0 |
|
Tinto 30 min 2a injecção |
Sim |
7 |
11.6 |
|
|
Branco 30 min Ia injecção |
Sim |
12 |
11.7 |
19.5 |
|
Branco 30 min 2 a injecção |
Sim |
27 |
11.7 |
| |
| |
|
Tinto 150 min Ia injecção |
Sim |
6 |
11.6 |
7.5 |
|
Tinto 150 |
Sim |
9 |
11.7 |
min 2 a injecção
|
Branco 150 min Ia injecção |
Sim |
10 |
11.8 |
9.0 |
|
Branco 150 min 2 a injecção |
Sim |
8 |
11.7 |
Tr - Tempo de retenção
Podemos concluir através da análise da Tabela 3 que a acutissimina-A também se forma para tempos de contacto curtos mesmo sem que esse contacto seja de forma directa livre.
Outra das conclusões é que o contacto de vinho branco com granulado de cortiça provoca, como no caso do vinho tinto, a formação de acutissimina-A neste caso até em quantidades superiores às que se forma na presença de vinho tinto última coluna média das intensidades dos sinais superiores no caso dos vinhos brancos.
EXEMPLO 4
Tendo como objectivo a percepção das alterações organolépticas provocadas pelo contacto do vinho com a cortiça, foi organizada uma prova de vinhos. A um painel de 31 provadores anónimos e regulares consumidores de vinho foram dadas para classificar quatro amostras de dois vinhos, um branco e um tinto com as seguintes caracteristicas:
Vinho Tinto; Ano 2003;Casta - Cabernet Sauvignon & Touriga Nacional; Marca - Calhandriz, Quinta da Romeira, Companhia das Quintas.
- Vinho Branco; Ano 2004;Casta - Moscatel Graúdo & Arinto; Marca - Calhandriz, Quinta da Romeira, Companhia das Quintas.
Duas das amostras correspondiam ao vinho tal e qual enquanto que as duas últimas tinham sido misturadas previamente com granulado de cortiça (1,5 mm) numa proporção em volume de 15/100 (cortiça/vinho), durante 1 hora e filtrados imediatamente antes da prova.
Aos provadores foi solicitado que classificassem as quatro amostras segundo três parâmetros: gosto, aroma e cor, numa escala de 1 a 5, onde o 1 corresponde a fraco e o 5 a excelente. A prova foi cega. Da folha de registo constava igualmente o sexo e a idade.
Os resultados obtidos estão sintetizados na Tabela 4.
Tabela 4
|
Provador |
Sexo |
Idade |
VT1 - vinho Tinto Tal e Qual |
CWtfcgB |
|
|
VB2 - Vinho Branco Tal e Qual |
|
G |
A |
C |
• |
|
9 |
|
|
9 |
G |
A |
C |
|
1 |
F |
26 |
5 |
4 |
5 |
4 |
|
4 |
4 |
|
4 |
4 |
4 |
3 |
|
2 |
M |
31 |
4 |
4 |
4 |
3 |
4 |
4 |
4 |
3 |
|
3 |
3 |
2 |
|
3 |
M |
68 |
2 |
3 |
3 |
1 |
2 |
3 |
2 |
2 |
3 |
3 |
2 |
3 |
|
4 |
M |
39 |
1 |
3 |
2 |
1 |
3 |
2 |
1 |
3 |
2 |
4 |
4 |
4 |
|
5 |
F |
29 |
3 |
2 |
3 |
4 |
3 |
4 |
L 2 |
3 |
3 |
3 |
4 |
2 |
|
6 |
F |
40 |
3 |
2 |
3 |
2 |
, 3 |
4 |
' 3 |
|
3 |
3 |
4 |
4 |
|
7 |
F |
33 |
3 |
3 |
5 |
4 . |
3 |
S |
j 4, |
|
S |
3 |
3 |
3 |
|
8 |
M |
35 |
2 |
3 |
3 |
2 |
|
3 |
Ϊ |
* |
2 |
2 |
2 |
1 |
|
9 |
F |
39 |
2 |
3 |
2 |
2 |
2 |
2 |
' 2 |
3 |
3 |
3 |
3 |
2 |
|
10 |
F |
50 |
2 |
1 |
3 |
1 |
i |
3 |
3 |
3 |
3 |
1 |
2 |
2 |
|
11 |
F |
60 |
3 |
2 |
3 |
2 |
â |
3 |
2 |
3 |
3 |
3 |
3 |
3 |
|
12 |
F |
39 |
2 |
2 |
3 |
1 |
- 2 |
3 |
2 |
|
3 |
1 |
1 |
2 |
|
13 |
M |
50 |
3 |
3 |
4 |
1 |
2 |
4 |
2 |
3 |
4 |
3 |
3 |
4 |
|
14 |
F |
51 |
3 |
3 |
3 |
1 |
2 |
2 |
4 |
4 |
4 |
4 |
4 |
3 |
|
15 |
F |
42 |
3 |
2 |
3 |
1 |
1 |
3 |
3 |
3 |
2 |
3 |
2 |
3 |
|
16 |
M |
48 |
3 |
2 |
3 |
2 |
2 |
3 |
3 |
3 |
3 |
4 |
4 |
3 |
|
17 |
M |
37 |
3 |
3 |
3 |
1 |
2 |
3 |
3 |
3 |
4 |
2 |
2 |
3 |
|
18 |
M |
42 |
3 |
2 |
2 |
2 |
2 |
2 |
< * |
./..3: |
3 |
5 |
4 |
2 |
|
19 |
M |
57 |
2 |
3 |
4 |
2 |
3 |
3 |
3 |
4 |
4 |
1 |
3 |
3 |
|
20 |
M |
49 |
2 |
2 |
3 |
3 |
2 |
3 |
|
.3 . |
3 |
2 |
2 |
2 |
|
21 |
F |
50 |
3 |
3 |
4 |
4 |
'4 |
4 |
4 : |
4 |
4 |
3 |
3 |
3 |
|
22 |
F |
55 |
5 |
3 |
3 |
5 |
4 |
4 |
. 5. |
..3 |
2 |
3 |
3 |
3 |
|
23 |
M |
40 |
3 |
3 |
4 |
2 |
'1 |
4 |
4 |
.3. |
3 |
4 |
3 |
3 |
|
24 |
M |
46 |
3 |
3 |
3 |
4 |
4 |
' 3 |
♦ |
3 |
3 |
3 |
3 |
2 |
|
25 |
F |
49 |
4 |
4 |
4 |
3 |
4 ' |
4 |
4 |
4.. |
5 |
5 |
5 |
4 |
|
26 |
M |
44 |
2 |
2 |
2 |
1 |
1 |
: 2 |
2 |
2 |
2 |
3 |
2 |
2 |
|
27 |
M |
69 |
3 |
3 |
4 |
3 |
3 |
4 |
2 |
2 |
4 |
3 |
3 |
4 |
|
28 |
F |
65 |
1 |
2 |
3 |
2 |
' 2 ' |
|
3 |
-2.. |
’ 3 |
4 |
5 |
2 |
|
29 |
F |
46 |
3 |
2 |
3 |
4 |
4 |
4 |
4 |
4 |
4 |
4 |
4 |
3 |
|
30 |
M |
71 |
3 |
3 |
4 |
2 |
' 3 |
4 |
3 |
3 |
3 |
2 |
2 |
2 |
|
31 |
F |
70 |
2 |
2 |
3 |
3 |
4 |
4 |
3 |
3 |
4 |
2 |
2 |
4 |
|
MàdiâS Pardais |
47,42 |
2,77 |
2,65 |
3,26 |
2,39 |
2,68 |
3,32 |
2,97 |
3,00 |
3,29 |
3,00 |
3,03 |
2,77 |
|
M&diaa 3 Rarâmetros |
2,89 |
2,80 |
3,09 |
2,94 |
G - Gosto; A - Aroma; C - Cor
As colunas a sombreado (VT2 e VB1) correspondem aos vinhos que estiveram em contacto com cortiça, vinho tinto e vinho branco respectivamente.
Se considerarmos a média dos três parâmetros para cada uma das amostras constatamos, globalmente, que no caso do vinho tinto ele se mantém praticamente inalterado e o vinho branco melhora com o contacto com a cortiça. As pequenas alterações podem ser consideradas como estando dentro da dispersão natural para uma avaliação deste tipo.
Se a análise for mais em pormenor vemos que no caso do vinho tinto há uma redução com algum significado no alterações podem ser consideradas como estando dentro da dispersão natural para uma avaliação deste tipo.
Se a análise for mais em pormenor vemos que no caso do vinho tinto há uma redução com algum significado no parâmetro Gosto enquanto que no caso do vinho branco temos um aumento significativo no parâmetro cor valorizando os provadores a cor do vinho que contactou cortiça. Tanto no tinto como no branco melhorou a cor após contacto com cortiça.
A alteração no gosto do vinho tinto era identificada pelos provadores com uma referência a Madeira, não negativa mas menos valorizada por alguns. O vinho branco tratado foi frequentemente referido como mais redondo, menos ácido e com madeira.
De um modo geral podemos dizer que o contacto com cortiça não alterou de um modo significativo o vinho tinto e beneficiou de algum modo as propriedades organolépticas do vinho branco.
Os vinhos utilizados neste exemplo foram posteriormente analisados para se detectar a presença de acutissimina-A. A Tabela 5 apresenta os resultados obtidos.
Tabela 5
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AMOSTRAS |
Sinal m/z=915 no EIC |
Intensidade do Sinal m/z=915 |
Tr (sinal de m/z=915) |
Media das Intensidades |
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Vinho Branco_l Ia INJ |
Sim |
39 |
11.7 |
39.0 |
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Vinho Branco 1 2 a INJ |
Sim |
39 |
11.7 |
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Vinho Branco 2 Ia INJ |
Não |
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Vinho
Branco 2
2 a INJ |
Não |
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Vinho Tinto_l Ia INJ |
Não |
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Vinho Tinto_l 2 a INJ |
Não |
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Vinho Tinto__2 Ia INJ |
Sim |
10 |
11.6 |
8 |
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Vinho Tinto__2 2 a INJ |
Sim |
6 |
11.6 |
Os resultados apresentados na Tabela 5 permitem-nos concluir que de facto os vinhos que foram postos em contacto com granulado de cortiça apresentam na sua composição o composto acutissimina-A — última coluna da Tabela 5.
A descrição anterior inclui toda a informação considerada essencial para permitir que os peritos na matéria possam praticar o invento reivindicado.
É bastante evidente para os peritos na matéria que embora este invento tenha sido descrito com detalhe no contexto de formas de concretização preferidas, várias modificações destas sem se podem ser efectuadas sair do dominio dos ensinamentos do invento. caracteristicas do invento
O domínio e são tal como as especiais definidos nas reivindicações em anexo.