BRPI0803149A2 - gene recombinante da pró-quimosina bovina e sua expressão em fungos visando a produção de queijos e seus derivados - Google Patents

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BRPI0803149A2
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Araripe Gonçalves Torres Fernando
Maria Pepe De Moraes Lídia
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Abstract

A presente invenção refere-se a uma sequência de DNA de uma protease bovina, uma enzima recombinante utilizada no processo de coagulação do leite, em substituição ao coalho tradicional. Mais especificamente se refere à sequência sintética de DNA da pró-quimosina B bovina, a qual pode ser expressa por fungos em geral. A presente invenção visa produzir uma enzima com características semelhantes à quimosina animal, que é a enzima de preferência para coagulação do leite, estágio de produção necessário para a fabricação de queijos de diferentes tipos e outros produtos derivados da coagulação do leite de maneira específica, resolvendo os problemas relacionados com gosto e caracteristicas desejáveis para o produto final.

Description

"GENE RECOMBINANTE DA PRÓ-QUIMOSINA BOVINA E SUAEXPRESSÃO EM FUNGOS VISANDO A PRODUÇÃO DE QUEIJOS E SEUSDERIVADOS"
Campo dã invenção:
A presente invenção refere-se a uma seqüência de DNA de umaprotease bovina, uma enzima recombinante utilizada no processo decoagulação do leite, em substituição ao coalho tradicional. Maisespecificamente se refere à seqüência sintética de DNA da pró-quimosina Bbovina, a qual pode ser expressa por fungos em geral, como por exemplo, osdos gêneros Pichia, Saccharomyces, Yarrowia, Kluyveromyces, Cândida,Hansenula, Aspergillus, Trichoderma, entre outros, referentes a diversasespécies conhecidas e largamente utilizadas tais como, Pichia pastoris,Saccharomyces cerevisiae, Yarrowia lipolytica, Kluyveromyces lactis, Cândidamethanolica, Hansenula polymorpha também conhecida como Pichia augusta,
Aspergillus niger var. awamori, Trichoderma reesei, entre outras espécies.
O critério para a escolha do tipo de fungo a ser utilizado estáprincipalmente relacionado com a obtenção da proteína recombinante emquantidade, qualidade e reprodutibilidade, principalmente em escala industrial.
Espécies de Pichia pastoris são particularmente preferidas por reunir uma sériede características desejáveis: além da técnica de expressão de proteínasrecombinantes por este microorganismo ser bem conhecida, sua taxa decrescimento é elevada, podendo crescer em um meio de cultura simples ebarato e o processo de extração da proteína de interesse na forma ativa nãorequerer a utilização de equipamentos caros, já que é obtida na forma solúvelno sobrenadante da cultura de Pichia pastoris e outros fungos.
A enzima recombinante expressa por fungos da presente invenção éeficiente na coagulação do leite, estágio de produção necessário para afabricação de queijos de diferentes tipos e outros produtos derivados dacoagulação do leite de maneira específica, sem comprometer a qualidade.
Dessa maneira, apresenta interesse para indústria de laticínios e de produçãode queijos em geral.Estado da técnica:
A quimosina (EC 3.4.23.4), também conhecida como renina, é umaaspartil protease encontrada no abomaso (quarto estômago dos ruminantes) debezerros lactantes e de outros ruminantes jovens. O papel desta enzima nadigestão é o de coagular o leite ingerido e produzir uma massa semi-líquida,aumentando o tempo de permanência do leite no organismo e permitindo aação das enzimas proteolíticas (FOX, P. F.; MCSWEENEY, P. L. H. Rennets:their role in milk coagulation and cheese ripening. Microbiology andbiochemistry of cheese and fermented milk. Ed. Law, B. A. Blackie Academic &Professional. London. pg. 1-49,1999).
O comportamento funcional da quimosina é marcadamente diferentedas outras proteínas gástricas aspárticas. Enquanto estas apresentam amplaespecificidade e processam com eficiência todas as proteínas no lúmengástrico, a quimosina é específica para uma das caseínas do leite,apresentando baixa atividade proteolítica sobre as outras proteínas. Devido aessa baixa atividade proteolítica extremamente específica por seu substrato, epor possuir uma alta atividade de coagulação do leite, esta enzima tornou-seatraente para a indústria de queijo (Foltmann, B. Prochymosin and chymosin(prorennin and rennin). Biochem J. 115(3):3P-4P, 1969; BEPPU, T. The cloningand expression of chymosin (rennin) genes in microorganisms. Trends.Biotechnol. 1: 85-89, 1993).
A quimosina é produzida intracelularmente na forma pré-pró-quimosina, caracterizada como uma proteína de 381 resíduos de aminoácidos(Figura 1). Os 16 resíduos de aminoácidos hidrofóbicos iniciais consistem emuma seqüência sinal, importante na secreção da enzima pela membranacelular. Esta seqüência sinal é removida durante a via de secreção e, noestômago, a enzima se apresenta na sua forma inativa, a pró-quimosina, demassa molecular 40777 Da. Sob as condições ácidas do estômago (pH<5) apró-quimosina torna-se quimosina por ativação autocatalítica e perda de 42resíduos de aminoácidos N-terminais (PEDERSEN, V. B. et aí., Investigationson the activation of bovine prochymosin. Eur. J. Biochem. 94: 573-580,1978).Bioquimicamente, a quimosina é uma proteína com cadeiapolipeptídica única de 323 resíduos de aminoácidos e massa molecular de35600 Da (GILLILAND, G. L. et ai, The three-dimensional structure ofrecombinant bovine chymosin at 2.3 A resolution. Proteins. 8: 82-101, 1990;NEWMAN, M. et ai, X-ray analyses of aspartic proteinases IV: Structure andrefinement at 2.2 Á resolution of bovine chymosin. J. Mol. Bioi 230: 260-283,1991). Existem duas formas alélicas da quimosina de bezerros naturalmenteproduzidas, quimosinas A e B, que diferem em apenas um resíduo deaminoácido na posição 244: um aspartato na quimosina A e uma glicina naquimosina B. A presença desses resíduos de aminoácidos promove uma maiorafinidade da quimosina A pela caseína k devido a uma estabilizaçãoeletrostática adicional do complexo caseína-k-quimosina, e uma maiorestabilidade da quimosina B em pH baixos (CHITPINITYOL, S.; CRABBE, M. J.C. Chymosin and aspartic proteinases. Food Chem. 61: 395-418,1998).
Extratos enzimáticos obtidos do abomaso de bezerros lactantes, quecontém 84% de quimosina, são tradicionalmente utilizados como agentescoagulantes do leite na fabricação de queijo. Esses extratos são extraídos pelalavagem e secagem do estômago, que é cortado em pequenos pedaços emacerado em uma salmoura contendo aditivos necessários à preparação e àconservação, durante 4-5 dias. Esta solução, que na verdade é uma mistura dequimosina com outras enzimas gástricas, é adicionada na etapa inicial doprocesso de produção de queijo, em quantidades determinadas segundo areceita de cada queijo (MOHANTY, A. K. et ai, Bovine chymosin: Production byrDNA technology and application in cheese manufacture. Biotechnol. Adv. 17:205-217, 1999).
Nos anos 1960, a FAO (Food and Agriculture Organization) previuuma severa queda no uso da quimosina de bezerro. Foi antecipado que umademanda de carne poderia levar à necessidade de abater os bezerros em umaidade mais madura, o que reduziria a produção de quimosina (quanto maisjovem o animal, mais enzima é secretada) (MOSCHOPOULOU, E. E. et ai,Purification and characterization of chymosin and pepsin from kid. J. Dairy Res.73: 49-57, 2006). A necessidade de carne, a desaprovação do uso de enzimaanimal por alguns grupos religiosos, e o custo elevado devido ao sacrifício debezerros, fez com que os fabricantes de queijo buscassem por fontesalternativas de menor custo, que não afetassem a qualidade dos queijos(CHITPINITYOL, S.; CRABBE, M. J. C. Chymosin and aspartic proteinases.Food Chem. 61: 395-418,1998).
A pepsina de porco surgiu como primeira alternativa à quimosinabovina, mas o alto grau de atividade proteolítica apresentado por esta enzimamostrou-se indesejável pelo gosto incomum que confere ao queijo. Enzimascom uma atividade proteolítica alta podem ser eficientes em coagular o leiterapidamente, mas, devido à indesejável ação proteolítica sobre as caseínas a eB durante a coagulação, levam a perdas no rendimento da produção. Essa altaatividade também é desfavorável por promover uma desestruturação da matrizde caseína e alterar a consistência característica dos queijos (KAPPELER, S.R. et ai, Characterization of recombinant camel chymosin reveals superiorproperties for the coagulation of bovine and camel milk. Biochem. Biophys. Res.Commun. 342: 647-654, 2006).
Alguns microrganismos foram identificados como produtores dequimosinas. Essas quimosinas microbianas foram caracterizadas como menosproteolíticas que a pepsina de porco e um pouco mais ativas que as debezerro. Um número de fungos e bactérias foi identificado como potenciaisfontes de quimosina, especialmente, Mucor pusillus, Mucor meihei, Entothiaparasitica, Aspergillus oryzae e Irpex lactis (BELDARREÍN, A. et ai,Characterization of Mucor pusillus rennin expressed in Pichia pastoris: enzymic,spectroscopic and calorimetric studies. Biotechnoi Appi Biochem. 31: 77-84,2000; SARDINAS, J. L. Rennin enzyme of Endothia parasitica. Appi Microbiol.16: 248-255, 1967; AIKAWA, J. et ai, Effects of glycosylation on the secretionand enzyme activity of Mucor rennin, an aspartic proteinase of Mucor pusillus,produced by recombinant yeast. J. Bioi Chem. 265: 13955-13959, 1990).
Atualmente, algumas indústrias utilizam quimosinas microbianasproduzidas por algumas destas fontes, já que os custos são reduzidos e podemser produzidas em quantidades satisfatórias em fermentações industriais.Entretanto, a demanda por quimosina animal, a enzima de preferência, queproduz um gosto característico aos queijos ainda é preferível, já que existemproblemas associados com os queijos produzidos por fontes microbianas. Aatividade proteolítica destas enzimas causa problemas secundários, como porexemplo, dificuldades com o endurecimento do coalho e perda significativa degordura e proteínas no soro, conseqüentemente, o rendimento do queijo émenor e podem desenvolver um gosto diferente e um sabor amargo (RAO, S.Extraction and purification of chymosin from buffalo calves. PhD thesis, Natl.Dairy Res. Inst, Karnal, índia,1984).
Como uma possível solução para se obter uma molécula similar aquimosina animal, foi proposta a clonagem do gene que codifica a quimosinamediante técnicas de DNA recombinante. Em anos recentes essa tecnologiapermitiu que o gene da quimosina animal fosse clonado e expresso comsucesso, como um produto da fermentação de linhagens não-patogênicas debactérias, leveduras e fungos filamentosos.
Wang construiu um plasmídio que permitiu a hiperexpressão da pró-quimosina (39% do total de proteína celular) na bactéria Escherichia coli K-12(WANG, G. High-level expression of prochymosin in E. coli. Effect of thesecondary structure of the ribosome binding site. Protein. Expr. Purif. 6:284-290, 1995). No entanto, a quimosina produzida nesta bactéria acumula emcorpos de inclusão, aumentando consideravelmente o custo do processo depurificação (NISHIMORI, K. et a/., Expression of cloned calf prochymosin genesequence in E. coli. Gene. 254: 8447-8456, 1982; EMTAGE, J. S. et ai,Synthesis of calf prochymosin (prorennin) in Escherichia coli. Proc. Natl. Acad.Sei. (USA). 80: 3671-3675, 1983; MARSTON, F. A. O. et ai, Solubilization andactivation of recombinant calf prochymosin from E. coli. Biochem. Soe. Trans.13: 1035, 1985).
Outros sistemas de bactérias foram usados para expressar a pró-quimosina. Parente e colaboradores clonaram a seqüência do gene da pró-quimosina em Bacillus subtilis, no entanto, também obtiveram a expressão daenzima como um agregado insolúvel (PARENTE, D. et ai, Prochymosinexpression in Bacillus subtilis. FEMS. Microbiol. Lett. 77: 243-249, 1991). Aprodução extracelular da pró-quimosina foi conseguida fusionando o gene daenzima com uma seqüência sinal da proteína subtilisina de B. subtilis. Noentanto, foram obtidos apenas baixos níveis de expressão (100 ug.L"1). Aclonagem em Lactococcus lactis também apresentou níveis de produção muitobaixos (SIMONS, G. et ai, Production of prochymosin in Lactococci. Structureand function of aspartic proteinases. Ed. B. M. Dunn Plenum Press (NY).115-119, 1991), assim como em Proteus mirabilis (KAPRÁLEK, F. et ai,Fermentation conditions for high-level expression of the fac-promoter-controlledcalf prochymosin cDNA in Escheríchia coli HB101. Biotechnol. Bioeng. 37:71-79, 1991).
Na levedura Saccharomyces cerevisiae, os genes codificando parapré-pró-quimosina, pró-quimosina e quimosina madura foram expressos, masas proteínas foram sintetizadas, principalmente, na forma insolúvel,acumulando nas células e dificultando a ativação e purificação. Já a leveduraKluyveromyces lactis foi usada com sucesso para a secreção da pró-quimosina. Os fungos filamentosos Aspergillus niger var. awamorí eTrichoderma reesei também apresentaram altos níveis de expressão dequimosina bovina recombinante. A produção em A. niger chegou a 1,3 g.L"1,combinando mutagênese e um eficiente programa de screening (GOFF, C. G.et ai, Expression of calf prochymosin in Saccharomyces cerevisiae. Gene. 27:35-46, 1984; VAN DEN BERG, J. A. et ai, Kluyveromyces as a host forheterologous gene expression: expression and secretion of prochymosin.Biotechnol. 8: 135-139, 1990; WARD, M. et ai, Improved production ofchymosin in Aspergillus by expression as a glucoamylase-chymosin fusion.Biotechnol. 8: 435-440, 1991; DUNN-COLEMAN, N. S. et ai, Commercialleveis of chymosin production by Aspergillus. Biotechnol. (NY). 9: 976-981,1991; HARKKI, A. et ai, A novel fungai expresion system: secretion of activecalf chymosin from the filamentous fungus Trichoderma reesei. Biotechnol.7: 596-603, 1989; CARDOZA, R. E. et ai, Expression of a synthetic copy of thebovine chymosin gene in Aspergillus awamorí from constitutive and pH-regulated promoters and secretion using two different pre-pro sequences.Biotechnol. Bioeng. 83: 249-259, 2003).Atualmente, apenas três empresas internacionais (Pfizer,Chr-Hansen e Girst Brocades) produzem e comercializam quimosinasrecombinantes (MOHANTY, A. K. et ai, Bovine chymosin: Production by rDNAtechnology and application in cheese manufacture. Biotechnol. Adv. 17:205-217, 1999).
A quimosina recombinante teve sua aprovação em 1980, reduzindoo abate de animais ainda jovens e trazendo grande economia à indústria delaticínios. Trata-se da primeira enzima recombinante a ser registrada epermitida pela FDA (Food and Drug Administration) para uso alimentar. Hoje,aproximadamente 80% dos queijos fabricados no mundo são feitos com essasfontes de quimosina. Este tipo de produção é de grande importância, já quediminui o custo em 40-50% e se obtém proteínas mais puras e mais previsíveisem termos de atividade, quando comparadas com aquelas extraídas doestômago de bezerros (GREEN, M. L. et ai, Cheddar cheese-making withrecombinant calf chymosin synthesized in Escherichia coli. J. Dairy. Res. 52:281-286, 1985; KAWAGUCHI, Y. et ai, Production of chymosin in Escherichiacoli cells and its enzymatic properties. Agric. Biol. Chem. 51: 1871-1877, 1987;HICKS, C. L. et ai., Use of recombinant chymosin in the manufacture ofcheddar and Colby cheese. J. Dairy Sei. 71: 1127-1131, 1988; BINES, V. E. etai., Comparison of cheddar cheese made with a recombinant calf chymosin andwith standard calf rennet. J. Dairy Res. 56: 657-664, 1989; FLAMM, E. L. HowFDA approved chymosin: A case history. Biotechnol. 9: 349-351, 1991;FOLTMANN, B. Prochymosin and chymosin (prorennin and rennin). MethodsEnzymol. 19: 421-436, 1970; WARD, M. et ai, Improved production ofchymosin in Aspergillus by expression as a glucoamylase-chymosin fusion.Biotechnol. 8: 435-440, 1991; BRUSGARD, C. Regulatory approval andcommercialization of chymogen. Scan. Dairy Infor. 6: 46-47, 1993).
As quimosinas recombinantes são submetidas a rigorosos testesbioquímicos, toxicológicos e microbiológicos para garantir a sua pureza. Foiconcluído pelo FDA que as enzimas recombinantes são idênticas e mais purasque os extratos enzimáticos extraídos de bezerro, o que conferiu o statusGRAS (Generally Regarded As Safe) para estas preparações. O rendimento, atextura e a qualidade dos queijos obtidos utilizando-se essas enzimas sãocomparáveis à quando são usadas enzimas naturais (JOHNSON, M. E.;LUCEY, J. A. Major technological advances and trends in cheese. J. Dairy Sei.89: 1174-1178, 2006).
No Brasil, é fabricada uma grande variedade de queijos. A ABIQ(Associação Brasileira das Indústrias de Queijo) calcula que existam cerca de2.500 laticínios produzindo queijos no País. De um modo geral, o consumo detodos os tipos de queijo está crescendo, seja de forma direta ou indireta e aquimosina utilizada pela maioria das indústrias brasileiras é a enzimarecombinante, que é importada. Não existe no Brasil produção de quimosinarecombinante, apenas são produzidos coalhos naturais por meio da extraçãodo estômago de bezerro. Embora o custo da quimosina recombinante sejasuperior ao da quimosina natural produzida por indústrias brasileiras, apreferência pela recombinante se deve, principalmente, à pureza daspreparações quando comparadas às naturais que estão contaminadas comoutras proteases.
A expressão de quimosina por microrganismos é, portanto, degrande interesse industrial devido à limitada disponibilidade do produto nomercado nacional. A quimosina recombinante é potencialmente útil nafabricação de queijo e seus derivados e pode substituir por completo asenzimas de origem animal sem nenhuma alteração na qualidade do queijo.
Além deste benefício, a enzima recombinante é de alta pureza eespecificidade, com baixa atividade proteolítica, e conta com a aprovação deconsumidores vegetarianos. Os queijos que utilizam essa forma de quimosinanão são considerados produzidos por um OGM (Genetically Modify Organism -Organismo Geneticamente Modificado), mas sim, por um produto deste.Conseqüentemente, todos os queijos vendidos são livres de OGM. O aumentodos esforços para a expressão de quimosina em microrganismos no Brasil é,pois, de grande interesse comercial por diminuir os custos da produção econseqüentemente, do produto final.
O objetivo da presente invenção foi de obter uma enzimarecombinante similar à quimosina bovina natural, para resolver os problemasde qualidade, principalmente os relacionados a gosto e consistênciaindesejáveis aos queijos produzidos a partir da coagulação específica do leite,e também evitar problemas relacionados com a aprovação desse tipo deproduto para consumo humano por órgãos competentes. O tipo demicroorganismo escolhido para expressar tal enzima recombinante levou aindaem consideração questões de custo para uma produção efetiva da proteína deinteresse em quantidade, qualidade e reprodutibilidade (forma ativa da enzima).Organismos multicelulares normalmente requerem meios complexos ricos emnutrientes, incluindo aminoácidos, vitaminas e fatores de crescimento. Estesmeios de cultura aumentam significativamente o custo de produzir proteínasrecombinantes. Por outro lado, os fungos do gênero Pichia podem crescer nosmeios que contêm somente uma fonte do carbono e uma fonte do nitrogênio.Estes fungos podem crescer em meio de um álcool simples, como o metanol,como fonte de energia (microorganismos metilotróficos). O meio contendometanol é letal para uma grande variedade de microorganismos, sendo assim,não há necessidade de tratamento adicional para evitar acontaminação/proliferação de outros microorganismos, como por exemplo, aadição de antibióticos para controlar bactérias e manter o rendimento deprodução de proteína de interesse. Além disso, Pichia cresce em altasdensidades celulares. Isto é importante industrialmente, pois o rendimento daproteína da expressão em um micróbio é aproximadamente igual ao produto daproteína produzida por quantidade de células. Pichia possui algumaspropriedades durante a expressão da proteína recombinante, que neste casoespecífico, é fundamental para obtenção da enzima em sua forma ativa esolúvel, que é a forma apropriada para aplicações a que se destina a presenteinvenção. Os autores escolheram o sistema heterólogo de Pichia pastoris paraa expressão e produção da pró-quimosina bovina. Pichia pastoris é umalevedura metilotrófica muito utilizada atualmente na expressão de proteínasheterólogas para pesquisa básica e uso industrial. Usando este sistema, maisde 400 proteínas já foram expressas nesta levedura com graus variados desucesso (CREGG, J. M. et al., Heterologous protein expression in themethylotrophic yeast Pichia pastoris. FEMS. Microbiol. Rev. 24: 45-66, 2001).Dentre as características vantajosas de P. pastoris como sistemasde expressão heteróloga destacam-se as seguintes: a levedura desfruta dostatus GRAS, é de fácil manipulação genética, expressa proteínas em altosníveis, e possui uma via eucariótica de secreção capaz de promovermodificações pós-traducionais como formação de pontes dissulfeto, O- e N-glicosilação e processamento de seqüências sinais (HOHENBLUM, H. et ai,Effects of gene dosage, promoters, and substrates on unfolded protein stress ofrecombinant Pichia pastoris. Biotechnol. Bioeng. 85: 367-375, 2004). Essesistema é também considerado de uso rápido, fácil, e mais econômico que ossistemas de expressão derivados de eucariotos superiores, como os sistemasbaseados em cultura de células de mamíferos (GELLISSEN, G. Heterologousprotein production in methylotrophic yeast. Appl. Microbiol. Biotechnol. 54:741-750, 2000).
Para a produção de uma proteína recombinante ser comercialmenteatraente os rendimentos deve ser alto. Para tanto, há a necessidade de adaptara seqüência gênica ao sistema hospedeiro. Quando expressando um geneeucariótico em P. pastoris, os códons de um gene codificando uma proteínapodem não ser ótimos para acomodar altos níveis de expressão da proteína.Códons que são comuns em algumas espécies podem ser raras em outras e aexpressão pode ser limitada as quantidades disponíveis de aminoacil-tRNA nacélula. Terminação prematura da tradução pode ocorrer quando aconcentração de um dado aminoacil-tRNA é reduzido, assim como quando aseqüência do gene apresenta uma alta proporção de bases AT. A alteraçãodos códons preferenciais, assim como o aumento da proporção de bases GCno DNA são estratégias que podem ser usadas para melhorar os níveis deexpressão. Um exemplo desta estratégia pode ser visto na expressão do fatorde crescimento epidermal de camundongo (mEGF) em P. pastoris, onde ogene foi sintetizado com códons preferenciais da levedura (CLARE, J. J. et ai.,High-level expression of tetanus toxinfragment C in Pichia pastoris strainscontaining multiple tandem integrations of the gene. BioTechnolog. 9: 455-460,1991). O gene da a-amilase também foi sintetizado para melhorar o conteúdoGC e os códons usados para expressão em P. pastoris. Similarmente, osgenes codificando para (3-glicosidase (OLSEN, O. et a/., Transplanting twounique beta-glucanase catalytic activities into one multienzyme, which formsglucose. BioTechnology. 14: 71-76, 1996) e o fragmento da toxina tetânicaforam alterados para o conteúdo de GC, levando a um aumento dos níveis deexpressão das proteínas correspondentes (Clare et ai, 1991, acima citado).
A alteração da seqüência primária de DNA do gene da pró-quimosina B bovina para acomodar melhores níveis de conteúdo de bases GC,assim como alteração para os códons preferenciais de P. pastoris levaria aoaumento da expressão da pró-quimosina.
O pedido de patente PI8204898 descreve a produção de pró-quimosina bovina recombinante usando o cDNA da pró-quimosina bovinaclonada e expressa em Escherícchia coli, entretanto, a proteína é produzida deforma insolúvel. O pedido de patente GB2100737A descreve a construção devetores de expressão para o cDNA da pré-quimosina, e das versõesmodificadas metionina-pró-quimosina; metionina-quimosina, e expressão em E.coli. Enquanto o pedido de patente PI8307386A descreve a produção dasquimosinas recombinantes produzidas pelas bactérias recombinantes descritasem GB2100737A. Uma característica negativa das construções em E. coli éque a quimosina é produzida na forma insolúvel o que requer odesenvolvimento de estratégias de solubilização e processamento da pró-quimosina. No pedido de patente PI8307386A, os autores comentam que aexpressão heteróloga da metionina-pró-quimosina em S. cerevisiae leva aprodução de 75% da proteína na forma insolúvel. Nestas patentes foi usado ocDNA da pró-quimosina bovina com algumas modificações na extremidade 5'do cDNA para produção intracelular, como adição do códon para metioninaN-terminal e remoção da seqüência sinal de secreção da proteína para o meiode cultura. O pedido de patente US20020164696A1 descreve a expressãoheteróloga do cDNA e produção de quimosina, pró-quimosina e pré-pró-quimosina de camelo em Aspegillus niger var awamorí fusiohada a seqüênciade DNA correspondente a seqüência sinal de secreção do gene codificando aenzima glicoamilase. As únicas modificações feitas no DNA foram: a mudançasilenciosa de códon, isto é sem alteração do aminoácido especificado pelo ditocódon, para criação de um sítio de restrição para a enzima Pm/1 para facilitar afusão dos dois fragmentos de DNA. As construções foram usadas para atransformação por integração do cassete de expressão, portando a quimosina,a pró-quimosina ou a pré-pró-quimosina em Aspergillus awamori.
A presente invenção descreve a modificação silenciosa extensiva dogene codificando para a pró-quimosina bovina para a produção da quimosinasolúvel no sobrenadante da cultura de Pichia pastoris e outros fungos. Aexpressão dessa enzima recombinante pode ser feita por uma grandevariedade de fungos, como por exemplo, os dos gêneros Pichia,
Saccharomyces, Yarrowia, Kluyveromyces, Cândida, Hansenula, Aspergillus,Trichoderma, entre outros, referentes a diversas espécies conhecidas elargamente utilizadas tais como, Saccharomyces cerevisiae, Yarrowia lipolytica,Kluyveromyces lactis, Cândida methanolica, Hansenula polymorpha ou Pichiaaugusta, Aspergillus niger var. awamori, Trichoderma reesei, entre outrasespécies, além de Pichia pastoris.
Descrição do invento:
- PRÓ-QUIMOSINA SINTÉTICA
A quimosina ou renina industrial é classificada pela IUBMB (UniãoInternacional de Bioquímica e Biologia Molecular) como uma protease do tipoaspartil endopeptidase com o número de identificação EC 3.4.23.4. Aquimosina ou renina, é uma enzima protease que contém 323 resíduos deaminoácidos com três pontes de dissulfito, que adicionada ao leite produz aprimeira etapa de formação do queijo ou para a formação do "junket" (espéciede coalhada fresca com sal ou sobremesa de leite coagulado e aromatizado). Aenzima converte partículas de caseinato de cálcio do leite, no relativamenteinsóluvel paracaseinato de cálcio, que na presença de íons cálcio coagula paradar forma a um produto coagulado denominado "coalho".
A fonte tradicional de renina é o abomaso (ou coagulador, quartoestômago dos ruminantes) de bezerros lactentes (que ainda dependem do leitematerno para a sua sobrevivência) ou de outros ruminantes jovens. Osbezerros recém-nascidos e outros ruminantes produzem no estômago a reninapara coagular o leite ingerido produzindo uma massa semi-líquida, que permiteaumentar o tempo de permanência do leite no organismo. Caso contrário, oleite fluiria pelo sistema digestivo restante produzindo diarréia. Com o tempo, aquantidade de renina diminui, sendo substituída pela pepsina, permitindo odesmame do filhote.
É também possível produzir a renina a partir de fungos. Atualmente,a maioria da renina comercial é produzida a partir de leveduras (fungosunicelulares) ou bactérias geneticamente modificadas, permitindo a produçãode um queijo considerado vegetariano. Acredita-se que a renina produzidadeste modo rende um queijo de consistência e com qualidade superior do queaquele produzido a partir da renina animal tradicional.
A coagulação do leite pela quimosina é um processo de duasetapas: a primeira fase (catalítica) começa com o reconhecimento específico daseqüência His98-Lys111 da caseína k (BEPPU, T. The cloning and expressionof chymosin (rennin) genes in microorganisms. Trends. Biotechnol. 1: 85-89,1993; MOHANTY, A. K. et ai, Bovine chymosin: Production by rDNAtechnology and application in cheese manufacture. Biotechnol. Adv. 17:205-217, 1999) e posterior clivagem proteolítica específica da ligação Phe105-Met106. Essa quebra resulta na liberação de um fragmento solúvel chamadomacropeptídeo, que passa para o soro, e outro, chamado p-K-caseína insolúvelque permanece na micela. A p-K-caseína não tem a propriedade de estabilizara estrutura micelar, causando diminuição na repulsão eletrostática entre asmicelas (REID, J. R. et ai, The action of chymosin on K-casein and itsmacropeptide: effects of pH and analysis of products of secondary hydrolysis.Int. Dairy J. 7: 559-569, 1997). A fase seguinte, não enzimática, consiste naagregação da p-k-caseína com as outras caseínas sob a associação de íonscálcio, o que, eventualmente, resulta na formação do coágulo micelar. Estefenômeno é, portanto, produzido pela desestabilização da solução coloidal dacaseína que origina a aglomeração de micelas livres concentrando a proteínado leite e retendo gordura. A fase aquosa contendo os elementoshidrossolúveis constitui o soro (LAWRENCE, K. et ai, Micelle stability: K-caseinstructure and function. J. Dairy Sei. 81: 3004-3012, 1998).O gene sintético possui 1098 pb e apresenta 76,14% de identidadecom o gene nativo de Bos taurus. De um total de 365 códons, 225 foramsubstituídos por códons preferenciais para P. pastoris. No entanto, todas asmudanças caracterizaram mutações silenciosas no gene nativo, codificandouma proteína idêntica à original. O conteúdo de GC (43,2%) foi mantidopróximo ao presente nos genes da levedura (42,73%). A seqüência deinteresse Seq. ID N2 1, foi sintetizada quimicamente pela empresa EpochBiolabs (EUA) a partir de dados fornecidos pelos autores da presente invenção.
A Seq. ID N2 1 resultante foi clonada no sítio de EcoRV do vetor comercialpBluescriptll SK (Stratagene) gerando o vetor pBSSK-CHYM para facilitar aamplificação da seqüência, principalmente in vivo (Figura 2).
O gene sintético da presente invenção, representado pelaSeq. ID N° 1 (código de sequenciamento descrito na Listagem em anexo)corresponde à pró-região, requerida para o correto dobramento da quimosina eestabilização do mRNA, além de seqüências codificadoras para a proteínamadura. Os sítios de restrição para as enzimas de restrição Xho I e Not I foramadicionados às extremidades 5'e 3' do gene, respectivamente, para facilitar aclonagem nos vetores de expressão. Os sítios para as proteases Kex2p eSte13p foram adicionados logo após o sítio de Xho I para permitir a perfeitaremoção dos sinais de secreção de levedura e liberação da pró-quimosina B.As marcações para os sítios das enzimas de restrição e os sítios de proteasesencontram-se destacados na Figura 3.
- EXPRESSÃO DA PRÓ-QUIMOSINA SINTÉTICA EM FUNGOS
O processo de obtenção da pró-quimosina bovina B por célulashospedeiras contendo o gene representado pela Seq. ID N2 1, de forma geralsegue os procedimentos estabelecidos pela técnica de obtenção de proteínasrecombinantes.
Geralmente, cada célula hospedeira, neste caso representado pelofungo, tem um protocolo de obtenção de proteína recombinante próprio,normalmente diferente para outros tipos de fungo. Por exemplo, o uso defungos filamentosos em substituição a Pichia levariam a processos detransformação do fungo, análise de expressão e de produção da proteína deinteresse obedecendo a um protocolo de procedimentos diferente do utilizadoem Pichia. No Exemplo 1 é abordado o caso específico da célula hospedeiraPichia pastoris. As diferenças também estão relacionadas ao meio nutrientepara as células hospedeiras, sendo que os meios de cultura para uma grandevariedade de fungos já está estabelecido pela técnica. Por outro lado, hápassos comuns de produção de pró-quimosina sintética por meio de suaexpressão em fungos em geral. As etapas principais se referem à introduçãodo plasmídio pBSSK-CHYM em E. coli utilizando a técnica de transformaçãopor cloreto de cálcio (Cohen, S. N. et ai, Nonchromosomal antibiotic resistancein bactéria: genetic transformation of Escherichia coli by R-factor DNA. Proc.Natl. Acad. Sei. (USA). 69: 2110-2114, 1972). Neste caso, o promotor utilizadoé o AOX1. Uma vez amplificado em bactéria, o plasmídio é extraído e digeridocom as enzimas de restrição Xho I e Not I. O gene sintético, representado pelaSeq. ID N° 1, presente no plasmídio pBSSK-CHYM é purificado esubseqüentemente clonado nos vetores de expressão específicos para cadahospedeiro.
De forma geral, algumas condições para a produção pró-quimosinabovina B recombinante pelo cultivo do fungo Pichia pastoris de diferenteslinhagens tais como, linhagens GS115, X33, SMD1168, SMD1165, SMD1163,KM71, KM71H, principalmente as de linhagens GS115 ou outro organismohospedeiro que contém o gene que codifica a pró-quimosina bovina B dapresente invenção, são descritas a seguir:
- período de cultivo de 5 a 180 horas, preferencialmente de 12 a 72horas;
- pH entre 3,5 a 7,0, preferivelmente de 5,0 a 6,0, atingidos pelaadição de soluções tampões previamente preparadas ou obtidascomercialmente, ou ainda, pela adição de sais inorgânicos apropriados.
- temperaturas no intervalo de 12 a 42°C, preferivelmente de 26 a30°C;
- emprego de nutrientes adequados para cada tipo de fungo,contendo pelo menos uma fonte de carbono, nitrogênio e sais inorgânicos,utilizados de forma combinada ou isolada;- recuperação da quimosina de interesse por métodos de separaçãoconhecidos da técnica.
Para o caso de P. pastoris, principalmente para linhagens GS115,X33, SMD1168, SMD1165, SMD1163, KM71, KM71H, modificadas pelo generepresentado pela Seq. ID N2 1, as fontes de carbono e de nitrogênio sãorelativamente simples e de baixo custo. Esses fungos utilizam como fonte decarbono, um álcool, como o metanol, introduzido no sistema de cultivo de formaisolada ou combinada com outros compostos nutrientes de acordo com aquantidade de microorganismos iniciais. Fontes de nitrogênio como uréia,extrato de levedura ou YNB (Yeast Nitrogen Base) em associação com ometanol (fonte de carbono) são capazes de aumentar a produção enzimática.Após o cultivo, o processo de obtenção da proteína de interesse é finalizadoseguido da recuperação da quimosina desejada por métodos conhecidos datécnica. No Exemplo 1, a purificação da quimosina produzida por P. pastoris dalinhagem GS115, contendo o gene representado pela Seq. ID Ns 1 foi emescala de bancada, seguindo as etapas de obtenção do extrato bruto(concentração por liofilização) e separações utilizando técnicas decromatografia e ultrafiltração. A finalidade foi de caracterizar a enzima deinteresse e avaliar sua expressão em fungos para o emprego em processos decoagulação do leite, e conseqüente utilização na produção de queijos e seusderivados.
A invenção poderá ser melhor compreendida por meio da seguintedescrição detalhada mediante o Exemplo 1 para a obtenção da pró-quimosinabovina B recombinante expressa em Pichia pastoris. Os procedimentosexperimentais realizados estão descritos nos tópicos abordados nesteexemplo. Os resultados experimentais obtidos são apresentados nas Figurasde 1 a 14, as quais são apresentadas a seguir:
A Figura 1 representa o desenho esquemático da estrutura primáriada pré-pró-quimosina.
A Figura 2 representa o desenho esquemático do mapa físico dovetor pBSSK-CHYM.A Figura 3 ilustra o sequenciamento do gene recombinante da pró-quimosina bovina expressa em fungos, com marcações para os sítios dasenzimas de restrição Xho I e Not I, adicionados, respectivamente, àsextremidades 5'e 3' do gene representado por Seq. ID N° 1 (regiõesdestacadas pelos retângulos cinza mais baixo) e para os sítios das proteasesKex2p e Ste13p, adicionados logo após o sítio de Xho I (regiões destacadaspelos retângulos pretos mais altos).
A Figura 4 representa a análise eletroforética em gel de agarose0,8% do perfil de restrição do vetor pPIC9-CHYM, em: 1) pPIC9-CHYM intacto;2) pPIC9-CHYM/H/nd III; 3) Marcador A EcoR \IHind III; 4) pPIC9-CHYM/Xr70\/Not I; 5) pPIC9-CHYM intacto.
A Figura 5 representa a análise eletroforética em gel de agarose0,8% do perfil de digestão do vetor pPIC9-CHYM para liberação do cassete deintegração, em: 1) Marcador 1 kb Ladder Promega; 2) pPIC9-CHYM/eg/ II; 3) pPIC9-CHYM intacto.
A Figura 6 representa o comportamento da cultura em frasco dosclones A3 e controle negativo (C-) em: (A) Curva de crescimento e (B) Curvade atividade (U.mL"1) do sobrenadante das culturas em um período de até 96horas de crescimento.
A Figura 7 representa o ensaio de atividade em placa de agarose eleite nos intervalos de 0 a 96 horas. Sobrenadante ativado das culturas dosclones A3 (2) e controle negativo (1). Os halos de hidrólise compreendem asregiões escuras. O último halo corresponde ao controle positivo utilizando aenzima recombinante comercial Hannilase.
A Figura 8 representa a análise do perfil protéico do sobrenadanteda cultura do clone A3 em gel SDS-PAGE 12,5% corado com Coomassie blue,em: C-) Sobrenadantes do controle negativo após 96 horas de cultura; 1) e 2)Sobrenadante da cultura após 72 e 96 horas de cultivo, respectivamente;M) Marcador Prestained Protein Marker Broad Range. A seta indica a posiçãoda banda de -36 kDa.
A Figura 9 representa a análise por Southern blotting do DNAgenômico de P. pastoris clone A3, A: Gel de agarose 0,8% com o DNA totaldigerido com Bgl II; (1) Marcador A EcoR MHind III; (2) DNA do clone negativo;
(3) DNA do clone A3; (4) sonda purificada (cassete de integração contendo ogene CHYMb clonado no vetor pPIC9) (controle positivo), e outra B: Southernblotting do gel mostrado em A.
A Figura 10 representa o perfil cromatográfico da amostra dequimosina da presente invenção em uma coluna Sephacryl S-100. Quadrado
(■) representa o perfil de proteínas totais de cada fração e diamante (♦) atividade de coagulação do leite em U.mL .
A Figura 11 representa a análise eletroforética das amostras deproteínas do processo de purificação em gel SDS-PAGE 12,5% corado comprata para: H) Quimosina recombinante comercial (Hannilase) produzida pelofungo A. awamori; 1-4) Amostra 1 (frações 14 e 15), 2 (frações 16-18),3 (frações 19-22) e 4 (frações 23-29), respectivamente. A seta indica a posiçãoda quimosina.
A Figura 12 representa a caracterização eletroforética em gel SDS-PAGE 12,5%, corado com prata, da enzima recombinante produzida por P.pastoris da presente invenção tratada com PNGase F. 1) Marcador UnstainedProtein Molecular Weight Marker, 2) Amostra 2 não tratada; 3) Amostra 2ativada; 4) Amostra 2 tratada com PNGase F. A amostra 2 corresponde afrações 16-18 obtidas do processo de purificação.
A Figura 13 representa a análise eletroforética em gel SDS-PAGE12,5%, corado com Coomassie blue, da digestão de caseínas a, p e k com aquimosina purificada de P. pastoris (CHYMb) e com enzima recombinantecomercial (Hannilase) produzida pelo fungo A. awamori. Como controle foimontado sistema de digestão com água e na ausência de qualquer enzima. M)Marcador Unstained Protein Molecular Weight Marker; 1-2-3) Caseínas a, p ek, respectivamente.
A Figura 14 representa o perfil eletroforético em gel SDS-PAGE,corado com Coomassie blue, de diferentes fontes de quimosina. M) MarcadorUnstained Protein Molecular Weight Marker, 1) Quimosina purificada produzidapor P. pastoris da presente invenção; 2) Hannilase; 3) ENZIMAX. A seta indicaa posição da quimosina.Exemplo 1:
- CLONAGEM DO GENE SINTÉTICO REPRESENTADO PELA Seq. ID N2 1EM VETOR DE EXPRESSÃO DE PICHIA PASTORIS
O fragmento correspondente a Seq. ID N2 1 (1130 pb) foi liberado dovetor pBSSK-CHYM por digestão com as enzimas de restrição Xho I e Not I.Em seguida, o vetor pPIC9-Amy foi linearizado com as mesmas enzimas derestrição {Xho I e Not I) liberando o gene Amy (-3,5 kb), além do sítio para aprotease Kex2p do vetor que é restaurado quando o gene CHYMb é sub-clonado. Os DNAs digeridos foram aplicados em gel de agarose 1% esubmetidos a eletroforese por duas horas até que os fragmentos de DNAfossem separados. Detalhes da estrutura primária, do vetor e do fragmento deDNA de interesse são visualizados nas Figuras 1 a 3. A banda de gelcorrespondente ao fragmento da Seq. ID N- 1 e do plasmídio linearizado foramcortados do gel e purificados utilizando kit comercial kit QIAquick GelExtraction. O fragmento contendo a Seq. ID N2 1 foi ligado ao plasmídio pPIC9(Invitrogen) linearizado nas razões molares de 1:3 e 1:10. A enzima T4 DNALigase foi utilizada com os tampões de reação fornecidos pelos fabricantes. Ossistemas foram incubados a 4°C por pelo menos 14 h antes de serem utilizadospara transformação de bactérias. A ligação do gene foi direcionada para entrarem fase com o peptídeo sinal do fator a de S. cerevisiae presente no vetor.
Após transformação bacteriana, os clones transformantes foramsubmetidos a procedimentos para extração de DNA plasmidial e um clone foiselecionado para confirmar a clonagem do gene CHYMb.
Na Figura 4, poço 2, pode-se visualizar o vetor resultante da ligaçãodigerido com a enzima de restrição Hind III. Com essa digestão, na presençado inserto, foram produzidos um fragmento de ~7,5 kb e outro de 1500-1800pb. Foi realizada também, dupla digestão com as enzimas utilizadas naclonagem, Xho I e Not I, para liberação do fragmento correspondente ao genesintético, como visualizado no poço 4 (Figura 4). Após a confirmação daclonagem, esse vetor foi denominado pPIC9-CHYM. As análises de restriçãocomprovaram a presença do inserto no vetor de expressão e a integridade domesmo (Figura 4).- TRANSFORMAÇÃO DA LINHAGEM GS115 DE P. PASTORIS
Para integração no genoma de P. pastoris, o vetor pPIC9-CHYM foidigerido com a enzima de restrição Bgl II para liberação do cassete deintegração (-6,7 kb) (Figura 5). Na Figura 5 pode-se visualizar no poço 2 apresença de dois fragmentos de DNA resultantes do plasmídio acima digeridocom a enzima Bgl II, com tamanhos de 2,3 kb e 6,8 kb, correspondentes asseqüências bacterianas para amplificação do plasmídio em bactéria e aocassete de integração para Pichia pastoris, respectivamente. Após a digestão,esse fragmento, que contém o cassete de expressão e a marca HIS4, expõenas extremidades seqüências do locus AOX1 para direcionar'a integração, quepode ocorrer no locus HIS4, assim como no locus AOX1 por substituição ouinserção. Para controle negativo da expressão o vetor pPIC9 original foi tambémdigerido com a enzima Bgl II e usado para transformação de P. pastoris.
A linhagem GS115 de P. pastoris foi transformada por eletroporaçãocom o vetor de expressão pPIC9-CHYM linearizado. Os transformantes com ovetor pPIC9-CHYM foram selecionados pela capacidade de crescimento emmeio mínimo-ágar (MD-ágar) sem histidina. A transformação resultou em ~500transformantes.
- SELEÇÃO DOS TRANSFORMANTES PRODUTORES DE QUIMOSINA
Para screening dos clones expressando a pró-quimosinarecombinante, 94 clones (designados A1-94) e dois clones controle negativoforam selecionados aleatoriamente e submetidos a crescimento em meiolíquido em placas tipo deep well. Em uma placa de deep well (96 poços comcapacidade de 2 ml) foram adicionados 800 uL de meio BMGY aos poços e emcada um deles foi inoculada uma colônia escolhida aleatoriamente das placasde transformação. A placa foi vedada com filme plástico e incubada em umshakera 30 °C e 200 rpm para crescimento das células. Após três dias, a placafoi centrifugada a 1280 x g por 10 minutos e o sobrenadante foi descartado.
Foram adicionados a cada poço 800 uL de meio BMMY. A placa foi novamentefechada com o filme plástico e incubada em um shaker nas mesmas condiçõesdescritas anteriormente. Foi adicionado metanol para uma concentração finalde 0,5% (v/v), a cada 24 horas aos poços dos transformantes crescendo emmeio BMMY. Após centrifugação a 1280 x g por 10 minutos, uma alíquota de50 uL do sobrenadante de cada transformante foi retirada a cada 24 horas,para análise da atividade. Cada sobrenadante foi analisado pela capacidade decoagulação do leite e formação de halos de hidrólise em placa com leite.
Aproximadamente 74% dos transformantes expressaram a enzima,porém, em níveis variados. Não foi detectada atividade enzimática nossobrenadantes das culturas dos controles negativos. Quatro transformantes dosistema de transformação com o vetor pPIC9-CHYM, que exibiram as maioresatividades de coagulação, foram analisados em frascos quanto ao temponecessário para 100 uL do sobrenadante ativado coagular 400 uL de leitedurante o intervalo de 0 a 96 horas de cultivo. Os resultados estão mostradosna Tabela 1. Como pode ser observado, o clone A3 apresentou os menorestempos para coagular amostras de leite, sendo identificado como o maiorprodutor de atividade enzimática dentre os clones analisados.
TABELA 1
<table>table see original document page 22</column></row><table>
- INDUÇÃO E EXPRESSÃO DE RECOMBINANTES EM FRASCO
Usando uma colônia isolada, fez-se um pré-inóculo em 25 mL demeio BMGY em um Erlenmeyer de 250 mL. Crescidas a 28 °C sob agitação atéa cultura atingir uma OD6oo de 2-6 (aproximadamente 16-18 horas). As célulasforam coletadas por centrifugação a 1500 x g por 5 minutos a temperaturaambiente e o sobrenadante desprezado. As células foram ressuspendidas emErlenmeyer aletado de 1 L com 100 mL de meio de indução BMMY e retornadasa incubadora para continuar o crescimento. Adicionou-se metanol 100% parauma concentração final no meio de cultura de 0,5% (v/v), a cada 24 horas decrescimento para manter a indução dos transformantes com o plasmídiocontendo o promotor AOX1. A indução foi realizada num período de 96 horas. Acada tempo de indução foram retirados 5 ml_ de cada cultura. Apóscentrifugação e descarte das células, o sobrenadante foi utilizado para mediçãoda OD6oo, da atividade enzimática e análise do perfil protéico em gel SDS-PAGE.
A cultura controle e o clone A3 apresentaram o mesmo perfil decrescimento e densidade celular, como indica o comportamento dos gráficosmostrados na Figura 6 A e B. Isto sugere que a produção de quimosina pelalevedura não causa inibição do crescimento celular. Como esperado, não foidetectada expressão de pró-quimosina nas culturas não induzidas (pré-inóculoe tempo 0). No entanto, com a troca do meio com glicerol pelo meio commetanol (como única fonte de carbono), o promotor AOX1 foi induzido, sendodetectada atividade nas primeiras 24 horas de crescimento. Depois disso, como progresso da fase de indução houve um aumento gradual nos níveis deatividade, como sugere o perfil de crescimento e densidade celular mostradona Figura 6 A e B. A maior produção (50 U.mL"1) foi encontrada no último pontoanalisado, após 96 horas de indução. Não foi detectada atividade nosobrenadante do controle negativo. Estes resultados confirmam que a atividadeenzimática é devido a expressão do gene sintético e não a uma atividadeproteásica intrínseca da hospedeira utilizada.
- ANÁLISE DA ATIVIDADE ENZIMÁTICA DA QUIMOSINA EM PLACA DEPETRI CONTENDO LEITE
Na placa de hidrólise (Figura 7), também ficou evidente a detecçãode atividade de coagulação do leite no sobrenadante da cultura. No perfil doclone A3 (Figura 7, coluna 2), a partir de 48 horas, podem ser observados halosde hidrólise de tamanhos crescentes com o decorrer da cultura, semelhantes aoproduzido pela enzima comercial Hanilase. Os baixos níveis de secreção após24 horas propiciaram sobrenadante que não foi capaz de formar halo. Ossobrenadantes do controle negativo (Figura 7, coluna 1) sob condições deindução não formaram halos.
ANÁLISE DO PERFIL PROTEÍCO
A fim de detectar a enzima recombinante e determinar sua massamolecular, as proteínas presentes no sobrenadante da cultura do clone A3 com96 horas de indução foram submetidas a eletroforese em gel SDS-PAGE.Como controles foram usados os sobrenadantes (96 horas) das linhagenscontrole (C~), e a enzima recombinante comercial Hannilase. A partir do perfilde migração das proteínas no gel foi possível identificar uma bandacorrespondente à enzima recombinante de P. pastoris no sobrenadante dacultura e que não está presente no perfil do controle negativo (Figura 8, poços1, 2 e C"). A massa molecular desta proteína foi estimada em ~36 kDa, quecorrespondente à massa molecular predita da quimosina processada, comodescrito por Foltmann e colaboradores (Foltmann, B. et ai, The completeamino acid sequence of prochymosin. Proc. Natl. Acad. Sei. USA. 74(6):2321-2324, 1977).
- ANÁLISE DO NÚMERO DE CÓPIAS INTEGRADAS
Para determinar o número de cópias do gene integradas, o tipo deintegração (substituição ou inserção) e o lócus de integração no genoma de P.pastoris, foi realizado um experimento de Southern blotting. Os resultados estãomostrados na Figura 9 A e B. A sonda homóloga utilizada (Figura 9, poço 4)corresponde a toda a região do cassete de integração do vetor pPIC9-CHYM. Aprópria sonda foi utilizada como controle positivo do experimento (Figura 8 A eB, poço 4), sendo responsável por um sinal de -6,7 kb na autoradiografia(Figura 8B, poço 4). Analisando os dados apresentados, ficou comprovada aintegração do cassete de expressão no genoma de P. pastoris do clone A3,devido à presença de sinal de tamanho correspondente ao cassete deexpressão no seu DNA genômico (Figura 9B, comparar poço 3 e 4). Foiobservado também que o clone controle (Figura 8B, poço 2), assim como o A3(Figura 9B, poço 3), manteve o gene AOX1 selvagem (bandas de 2,4 kb e1,7 kb), provavelmente devido à ocorrência de evento de recombinação simples(integração por inserção) na região 5'AOX1 ou 3'AOX1. Ainda, a hibridizaçãocom a sonda permitiu identificar que houve dupla integração do cassete deexpressão no genoma do clone A3 (Figura 9B, poço 3). Para estimar o númerode cópias integradas, foi comparada a intensidade das bandas correspondentesao cassete de integração (Figura 9B, poço 3, banda de ~6,7 kb) com a bandacorrespondente ao lócus HIS4 (Figura 9B, poço 3, banda de 2,7 kb), queapresenta apenas uma cópia no genoma de P. pastoris por meio do programaScion Image. A análise do mapa de restrição do DNA genômico descrito naliteratura reforça a veracidade dos resultados obtidos, tanto no que se refere aotamanho dos fragmentos de hibridação quanto ao número deles.
- PURIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO ENZIMÁTICA
Aproximadamente 400 ml_ de uma cultura de 72 horas de indução foiconcentrada por liofilização (extrato bruto), e submetida a uma cromatografia emcoluna de gel filtração (Sephacryl S-100) previamente equilibrada com tampãofosfato 50 mM pH 6,0. Frações de 5 ml_ de eluato foram coletadas por tubo,totalizando 95 frações. O perfil de atividade enzimática e do conteúdo deproteínas de cada fração, após a cromatografia, é apresentado na Figura 10.
Embora a eluição com tampão fosfato tenha resultado em um grande pico deproteína ladeado por dois outros menores, apenas as proteínas eluídas nasfrações 14 a 29 apresentaram atividade de coagulação do leite.
As frações correspondentes ao pico de atividade foram reunidas em 4diferentes amostras: Amostra 1, as duas primeiras frações que apresentaramatividade enzimática (14 e 15); Amostra 2, frações que apresentaram maioratividade (16,17 e 18); Amostra 3, frações no final do pico (19-22) e Amostra 4,frações que apresentaram apenas atividade residual (23-29). As quatroamostras, após concentração por ultrafiltração, foram analisadas em gel SDS-PAGE, conforme apresentado na Figura 11. Foi revelada a presença de bandasem todas as amostras com exceção da Amostra 4, no entanto, apenas nasAmostras 2 e 3 a enzima foi purificada. No caso da Amostra 2, uma segundabanda, com massa molecular aparente próxima à da quimosina, também foirevelada, indicando possível presença da enzima recombinante não processadaou glicosilada.Para verificação dessa hipótese, a Amostra 2 foi analisada em gelSDS-PAGE após passar pelo processo de ativação e pela digestão com aenzima de deglicosilação, PNGase F. Como pode ser observado na Figura 12,não houve alteração no perfil eletroforético após o processo de ativação. Noentanto, o tratamento com a PNGase F por 2 h resultou no desaparecimento dabanda superior, indicando a presença de N-glicosilações na enzimarecombinante. Pela comparação das bandas encontradas no gel de purificaçãoda Amostra 2, realizada pelo programa Scion Image, foi estimado queaproximadamente 23% de quimosina recombinante secretada por P. pastoris églicosilada.
Para análise de especificidade, a enzima purificada (Amostra 2) foiincubada com as caseínas a, p, e k (Figura 12, poços 1, 2 e 3 CHYMb),separadamente, e os produtos da digestão analisados em gel SDS-PAGE(Figura 13). Os resultados foram comparados com aqueles obtidos com aquimosina recombinante comercial (Figura 13, poços 1, 2 e 3, Hanilase). Ahidrólise da caseína k com a quimosina recombinante de P. pastoris (Figura 13,poço 3, CHYMb) produziu uma banda com massa molecular aparente deaproximadamente 14-15 kDa, que não foi observada na preparação não tratada(apenas solução aquosa), e que corresponde ao perfil esperado após a hidrólisedesta caseína com a enzima quimosina. A hidrólise da caseína k com aquimosina comercial gerou o mesmo produto (Figura 13, poços 3, Hanilase). Jáo tratamento das caseínas a e p não produziu bandas adicionais (Figura 13,poços 1 e 2 CHYMb e Hanilase). Os resultados indicam claramente que aquimosina recombinante purificada testada para frações da caseína, atuaespecificamente sobre a caseína k.
Para efeito de comparação, foi analisado em gel SDS-PAGEamostras de quimosina bovina comercial extraída de bezerros (ENZIMAX),quimosina bovina comercial recombinante produzida pelo fungo A. awamori(Hannilase) e a quimosina bovina recombinante purificada produzida por P.pastoris da presente invenção. Como pode ser observado na Figura 14, opreparado extraído do estômago de bezerro (Figura 14, poço 3) é contaminadocom diversas outras proteínas do lúmen gástrico, enquanto que as duasenzimas recombinantes (Figura 14, poços 1 e 2) purificadas apresentam umaúnica espécie protéica correspondente a enzima quimosina.
O conjunto dos resultados apresentados demonstra que o generepresentado pela Seq. ID N9 1 foi expresso com sucesso e a quimosinarecombinante resultante se apresentou na sua forma solúvel no meio de culturae foi purificada em apenas uma etapa. As características bioquímicas daquimosina recombinante foram mantidas sendo indistinguíveis da sua versãocomercial (Hanilase). Testes de coagulação do leite mostraram que a quimosinarecombinante é capaz de atuar com a mesma eficiência que a versão comercial.
Sendo assim, o uso de quimosina codificada pelo gene representado pelaSeq. ID N2 1 deve ser considerado para a produção de queijos e seus derivados.
No processo de produção de queijos e seus derivados, a partir dacoagulação de leite pela quimosina recombinante da presente invenção, asquantidades usadas da enzima seguem as mesmas proporções utilizadas paraquimosina natural ou recombinante comercial (conhecimento da técnica) porapresentar as mesmas características da pró-quimosina bovina nativa ounatural.

Claims (9)

LISTAGEM DE SEQÜÊNCIAS BIOLÓGICAS1) Informações gerais do Pedido de Patente(i) Dados dos Requerentes:a) Nome: Fundação Universidade de Brasíliab) Endereço: Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte, Faculdade deTecnologia, Módulo AT-05, Caixa Postal 04397 CEP: 70919-970, Brasília - DF.(ii) Título da invenção: "GENE RECOMBINANTE DA PRÓ-QUIMOSINABOVINA E SUA EXPRESSÃO EM FUNGOS VISANDO A PRODUÇÃO DEQUEIJOS E SEUS DERIVADOS"(iii) Número de seqüências constantes do pedido: 1 (um)(iv) Formato para leitura no computador: Microsoft Word; Windows XP;computador tipo PC.2) Informações gerais da seqüência:a) Tamanho da seqüência: 1130 pares de basesb) Tipo da seqüência: ácido nucléicoc) topologia: DNA lineard) número identificador da seqüência: Seq. ID N- 13) Característica da molécula seqüenciada: Seq. ID N- 1a) tipo: DNA sintéticob) nome: CHYMbc) produto do gene: pró-quimosina bovinad) fonte original da molécula: síntese químicae) fenótipo associado: coagulação de leitef) atividade biológica: clivagem específica da K-caseínag) localização celular: meio de culturaDescrição da SeqüênciaCTCGAGAAAA GAGAGGCTGA AGCTGCTGAG ATCACCAGGA TCCCTCTGTA CAAAGGCAAG 60TCTCTGAGGA AGGCGCTGAA GGAGCATGGG CTTCTGGAGG ACTTCCTGCA GAAACAGCAG 120TATGGCATCA GCAGCAAGTA CTCCGGCTTC GGGGAGGTGG CCAGCGTGCC CCTGACCAAC 180TACCTGGATA GTCAGTACTT TGGGAAGATT TACCTCGGGA CCCCGCCCCA GGAGTTCACC 240GTGCTGTTTG ACACTGGCTC CTCTGACTTC TGGGTACCCT CTATCTACTG CAAGAGCAAT 300GCCTGCAAAA ACCACCAGCG CTTCGACCCG AGAAAGTCGT CCACCTTCCA GAACCTGGGC 360AAGCCCCTGT CTATCCACTA CGGGACAGGC AGCATGCAGG GCATCCTAGG CTATGACACC 420GTCACTGTCT CCAACATTGT GGACATCCAG CAGACAGTAG GCCTGAGCAC CCAGGAGCCC 480GGGGACGTCT TCACCTATGC CGAATTCGAC GGGATCCTGG GGATGGCCTA CCCCTCGCTC 54 0GCCTCAGAGT ACTCGATACC CGTGTTTGAC AACATGATGA ACAGGCACCT GGTGGCCCAA 600GACCTGTTCT CGGTTTACAT GGACAGGAAT GGCCAGGAGA GCATGCTCAC GCTGGGGGCC 660ATCAACCCGT CCTACTACAC AGGGTCCCTG CACTGGGTGC CCGTGACAGT GCAGCAGTAC 720TGGCAGTTCA CTGTGGACAG TGTCACCATC AGCGGTGTGG TTGTGGCCTG TGAGGGTGGC 780TGTCAGGCCA TCTTGGACAC GGGCACCTCC AAGCTGGTCG GGCCCAGCAG CGACATCCTC 84 0AACATCCAGC AGGCCATTGG AGCCACACAG AACCAGTACG GTGAGTTTGA CATCGACTGC 900GACAACCTGA GCTACATGCC CACTGTGGTC TTTGAGATCA ATGGCAAAAT GTACCCACTG 960ACCCCCTCCG CCTATACCAG CCAAGACCAG GGCTTCTGTA CCAGTGGCTT CCAGAGTGAA 1020AATCATTCCC AGAAATGGAT CCTGGGGGAT GTTTTCATCC GAGAGTATTA CAGCGTCTTT 1080GACAGGGCCA ACAACCTCGT GGGGCTGGCC AAAGCCATCT AAGCGGCCGC 1130
1.- GENE RECOMBINANTE DA PRÓ-QUIMISINA BOVINA B expressa emfungos caracterizado por compreender a seqüência Seq. ID N2 1.
2.- GENE RECOMBINANTE DA PRÓ-QUIMISINA BOVINA B de acordo coma reivindicação 1, caracterizado por ser expresso em fungos de diferentestipos, tais como os dos gêneros Pichia, Saccharomyces, Yarrowia,Kluyveromyces, Cândida, Hansenula, Aspergillus e Trichoderma.
3.- GENE RECOMBINANTE DA PRÓ-QUIMISINA BOVINA B de acordo coma reivindicação 1 ou 2, caracterizado por ser expresso em fungos dediferentes espécies, tais como Pichia pastoris, Saccharomyces cerevisiae,Yarrowia lipolytica, Kluyveromyces lactis, Cândida methanolica, Hansenulapolymorpha ou Pichia augusta, Aspergillus niger var. awamori, Aspergillusnidulans e Trichoderma reesei.
4.- GENE RECOMBINANTE DA PRÓ-QUIMISINA BOVINA B de acordo coma reivindicação 1 ou 2, caracterizado por ser expresso em Pichia pastorislinhagens GS115, X33, SMD1168, SMD1165, SMD1163, KM71, KM71H,principalmente as de linhagens GS115.
5.- PROCESSO DE PRODUÇÃO DE PRÓ-QUIMISINA BOVINA B expressapor fungos conforme definido na reivindicação 1 ou 2, caracterizado pelofato de compreender o cultivo de fungos que contém o gene que codifica apró-quimosina bovina B, representado pela Seq. ID N2 1, em um meionutriente adequado, contendo pelo menos uma fonte de carbono, nitrogênioe sais inorgânicos, seguido da recuperação da quimosina desejada pormétodos conhecidos da técnica.
6.- PROCESSO DE PRODUÇÃO DE PRÓ-QUIMISINA BOVINA B de acordocom a reivindicação 5, caracterizado pelo fato de que é cultivado o fungoPichia pastoris ou outro organismo hospedeiro que contém o gene quecodifica a pró-quimosina bovina B, representado pela Seq. ID N2 1, durante operíodo de 5 a 180 horas, preferencialmente de 12 a 72 horas, em pH entre 3,5 a 7,0 preferencialmente de 5,0 a 6,0, em temperaturas no intervalo de 12 a 42°C, preferencialmente de 26 a 30°C.
7.- PROCESSO DE PRODUÇÃO DA PRÓ-QUIMISINA BOVINA B de acordocom a reivindicação 5 ou 6, caracterizado pelo fato de que é cultivado ofungo Pichia pastoris de uma das linhagens GS115, X33, SMD1168,SMD1165, SMD1163, KM71, KM71H que contêm o gene que codifica a pró-quimosina bovina B, representado pela Seq. ID N9 1, utilizando como fontede carbono, um álcool, como o metanol, usado no sistema de cultivo deforma isolada ou combinada com outros compostos nutrientes, tais comouréia, YNB e sais inorgânicos.
8.- Uso da seqüência do gene recombinante conforme definido nareivindicação 1, caracterizado por ser para expressar a pró-quimisinabovina B, utilizada no processo de coagulação do leite.
9.- Uso da pró-quimosina bovina B obtida pela expressão do generecombinante conforme descrito na reivindicação 1, caracterizado por serpara coagular o leite no processo de produção de queijos e seus derivados.
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