MÉTODO PARA REDUZIR A FITOTOXICIDADE DE FUNGICIDAS Campo técnico da invenção.
[001 ] A presente invenção refere-se a um método para reduzir a fitotoxicidade de fungicidas sistémicos, principalmente dos triazóis, em cultivares suscetíveis de soja, entre outras. Com o presente método torna-se desnecessário inovar em formulações diversificadas de fungicidas bem como acrescentar substâncias específicas para atenuar a toxicidade dos fungicidas sistémicos principalmente dos triazois.
Antecedentes da invenção
[002] Os fungicidas são compostos químicos que matam ou inibem o crescimento dos fungos ou de seus esporos. O uso de fungicidas no controle eficiente de doenças de plantas tem se tornado imprescindível ao sistema agrícola nas últimas décadas, uma vez que as doenças nas cultivares reduzem em cerca de 20% a produção mundial de alimentos.
[003] Devido ao seu custo relativamente baixo e a eficiência na eliminação das doenças, os fungicidas tem se tornado a medida preferencial de controle de doenças, em plantas, advindas de fungos. No entanto, sabe- se que o seu uso contínuo e em larga escala leva ao surgimento de linhagens novas de fungos, os quais se tornam resistentes aos produtos comerciais disponíveis. Tal fato pode ser exemplificado pelo que está ocorrendo com a resistência de Phakopsora pachyrhizi (Pp), agente causal da ferrugem da soja, aos IDM (inibidores da desmetilação), IQe (inibidores da quinona externa) ISDH e suas misturas.
[004] Apesar disso, estudos sobre os efeitos negativos dos fungicidas de alterarem ou inibirem as atividades metabólica das plantas sadias, bem como os efeitos decorrentes da aplicação de alguns fungicidas sobre a fotossíntese, conteúdo de pigmentos, crescimento e alterações nos órgãos reprodutivos ainda são pouco explorados. Alguns dados disponíveis relatam modificações na assimilação de C02 e na eficiência fotossintética da planta.
[005] Com relação à cultura de soja, sabe-se que os fungicidas
usados em larga escala pertencem a dois grupos químicos, com mecanismo de ação sítio específicos, quais sejam: os triazóis ou IDMs; e as estrobilurinas, ou IQes. Mais recentemente um terceiro grupo químico passou a ser utilizado também, qual seja, os ISDH (inibidores da enzima succinato desidrogenase). A combinação dos IDMs com os IQes tem sido utilizada por mais de 12 safras para o controle da FAS. Além disso, a redução da sensibilidade de Phakopsora pachyrhizi (Pp) aos IDM sobrecarregou a ação fungicida dos IQes nas misturas. A partir da safra 2012/13 observou-se que Pp teve sua sensibilidade reduzida às misturas de IDMs + IQes.
[006] Com relação aos triazóis (IDMs), sabe-se que seu mecanismo de ação visa inibir uma enzima específica, a desmetilase-C14, que desempenha papel crucial na produção de esterol. Os esteróis, como o ergosterol, são integrantes fundamentais da estrutura e da função das membranas, tornando-se elementos essenciais na sua síntese, e logo após a germinação dos esporos.
[007] Embora os IDMs não inibam a germinação de esporos, eles iniciam sua ação fungicida logo após a germinação (elongação do tubo germinativo), ou seja, a fase do ciclo de vida do fungo que requer a formação de novas membranas com a consequente produção de esterol. A formação dessas outras estruturas, que se sucedem ao processo de elongação do tubo germinativo, envolve as estruturas de infecção como o apressório e o tubo de penetração. Todas requerem a formação de novas membranas e consequentemente da matéria-prima para os esteróis. Ao final, a atividade fungicida resulta na prevenção da penetração do fungo nos tecidos dos hospedeiros e a cessação do processo infeccioso. Portanto, os triazóis causam o crescimento anormal dos fungos e morte eventual dos mesmos, o que é bastante satisfatório.
[008] Cabe ser ressaltado que cada composto triazol (IDM) age de maneira ligeiramente diferente um do outro, devido à utilização de rotas bioquímicas diferente na síntese do esterol. Embora haja semelhança entre
eles, há grandes diferenças no espectro de ação de cada um.
[009] Sabe-se de relatos sobre injúrias em cultivares de soja associadas à aplicação de IDMs, especialmente tebucunazol e protioconazol. Um problema conhecido é a fitotoxicidade desses fungicidas, como por exemplo o tebuconazol, que geralmente ocorre quando a pulverização é feita em ambiente quente e seco e com a presença de surfactantes adicionados à calda fungicida, o que aumenta ainda mais a intensidade da injúria.
[0010]No Brasil, pouco se conhece sobe a reação das cultivares brasileiras aos triazóis. O que se sabe é que a aplicação de fungicidas sistémicos principalmente triazois, com pulverizador, em lavouras de soja, resultam em faixas de folhas com amarelecimento, descoloração clara, morte e desprendimento dos espaços internervurais dos folíolos da soja. As folhas de soja também apresentam sintomas que se confundem com a deficiência de nutrientes, sintomas secundários de doenças e fitotoxicidade de agentes químicos externos (como, por exemplo, os fungicidas triazois). Esse tipo de sintomas nas folhas recebe a denominação popular, no Brasil, de folha carijó. Deve-se notar que a fitotoxicidade ocorre apenas na parte superior do dossel da lavoura, nas áreas cobertas com maior volume de produto aplicado na pulverização. As folhas inferiores apresentam coloração verde normal e o caule sem evidências da injúria.
[001 1 ]Geralmente a toxicidade de fungicidas sistémicos, principalmente os triazois, aparece nas lavouras sob condições especiais. Por exemplo, os fungicidas triazois podem ser usados em lavouras de soja, com a ressalva de evitar a aplicação em cultivares mais sensíveis aos fungicidas, ou ainda momentos de aplicação sob temperatura elevada acima de 35QC (ou no momento mais quente do dia) e estresse hídrico (causada por estiagem). Os sintomas mais intensos da fitotoxicidade são observados nas áreas de sobreposição da calda fungicida pela barra do pulverizador e nos locais de manobra para retorno. As áreas onde não foi aplicado o fungicida apresentam folhas superiores de coloração verde normal, sem a
fitotoxicidade característica. Sob condições ambientais normais e de crescimento das plantas não se constata a presença de fitotoxicidade nas folhas.
[0012] Essa injúria reduz o potencial fotossintético da camada superior do dossel, a que recebe maior quantidade da radiação solar. A produção é função da duração da área foliar verde-sadia e da radiação absorvida.
[0013]0 estado da técnica até o momento não solucionou os problemas aqui descritos, tanto é que a literatura patentária mais próxima não trata do assunto. Como exemplo pode-se citar:
[0014]Pedido internacional WO2007/028388, intitulado "Method of reducing phytotoxicity on plants susceptible to sistemic fungicides mainly triazoles" que descreve que fungicidas de triazol podem ser aplicados a uma cultivar susceptível a fungicidas triazole, o qual é incorporado através de uma formulação que compreende certos solventes, o que reduz ou elimina a fitotoxicidade do fungicida para a referida cultivar. Como é possível verificar, esta invenção usa solventes na formulação, o que representa um grande problema para o produtor quando for usar o fungicida formulado na lavoura de soja.
[0015]A fim de solucionar o problema da técnica, a presente invenção descreve um método que visa reduzir a fitotoxicidade de fungicidas sistémicos, principalmente dos triazois, em cultivares suscetíveis de soja, entre outras. A utilização do método da presente invenção permitirá o uso seguro de fungicidas sistémicos, principalmente triazois, em todas as culturas.
Sumário da invenção
[0016]A presente invenção introduz no sistema brasileiro de produção um método para redução da fitotoxicidade de fungicidas sistémicos, principalmente triazois, tais como o tebuconazol e o protioconazol, em quaisquer cultivos.
Objetos da invenção
[0017] É objeto da presente invenção reduzir a fitotoxicidade de fungicidas sistémicos, principalmente triazois, tais como o tebuconazol e o protioconazol, em culturas, mais especificamente em cultivares de soja.
Descrição detalhada da invenção
[0018]No intuito de solucionar um dos problemas encontrados no estado da técnica, a presente invenção desenvolveu um método para reduzir a fitotoxicidade de fungicidas triazois em cultivares de soja.
[0019]Apesar dos triazois, como por exemplo o tebuconazol e protioconazol, serem os fungicidas mais utilizados no controle das doenças causadas por fungos nas lavouras de soja, são eles também que mais causam efeito tóxicos nas plantas (fitotoxicidade) mesmo nas doses normais usadas para o controle das doenças. No caso específico do tebuconazol, tanto as formulações EC e SC podem causar sérias injúrias nas plantas; contudo, nas lavouras de soja, a que mais causa injúria é a EC.
[0020]A presente invenção soluciona o problema do tebuconazol com a sua mistura a um fungicida multissítio, especialmente um ditiocarbamato, especificamente o mancozebe, que tem a finalidade de aumentar a tolerância aos fungicidas triazois. Por isso, a presente invenção capacita o uso seguro dos fungicidas triazois, principalmente o tebuconazol e o protioconazol, em todas as cultivares de soja. O processo consiste em:
[0021 ]adicionar ao tanque do pulverizador, mancozebe (etilenobisditiocarbamato de manganês + Zn) em quantidade que varia entre 1 ,0 kg/ha e 5,0 kg/ha, preferencialmente entre 1 ,0 e 4,0 kg/ha, mais preferencialmente ainda entre 1 ,0 e 3,0 kg/ha, juntamente com o fungicida (mistura pré-fabricada de "IDM + IQe" ou "IDM + ISDH");
[0022]acionar o agitador do depósito do pulverizador; e
[0023] uma vez homogeinizada a calda aplicar a calda na lavoura soja.
[0024]A vantagem do método da presente invenção consiste em utilizar o fungicida multissítio mancozebe, pois, até então, não são conhecidos casos de fungos a ele resistentes. O mancozebe mostra-se, pois,
como um fungicida de largo espectro, altamente importante por eliminar a indesejável fitotoxicidade na soja causa pelos fungicidas triazois, mais precisamente pelo teboconazol e pelo protioconazol.
[0025]Cabe ser salientado que o mancozebe nunca antes foi usado com esta finalidade.
[0026] Por isso que a presente invenção, apesar de ser representada por um método extremamente simples, o mesmo deve ser tido como inovador e de suma importância para a sustentabilidade da cultura da soja, no Brasil e no mundo. Isto porque tal método nunca foi usado para combater a fitotoxicidade em culturas agrícolas (nesta incluída a cultura da soja).
[0027]Será facilmente compreendido por aqueles versados na técnica que modificações podem ser realizadas na presente invenção sem com isso se afastar dos conceitos expostos na descrição acima. Essas modificações devem ser consideradas como compreendidas pelo escopo da presente invenção.